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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Carnival Glass 'Painel de Abacaxis" - Esberard Rio

No final do mês de março, eu recebi de meu amigo de Bagé, Fábio Silveira, algumas fotos de um centro de mesa carnival glass que ele queria saber se eu tinha interesse em adquirir.




A princípio, não consegui identificar a procedência da peça, mas como ele  me disse que o centro de mesa pertencera a uma senhora, também de Bagé, achei que, pelo desenho, junto a essa informação, a origem poderia ser européia.

Antes da compra, resolvi pedir a ajuda para outros colecionadores do grupo Carnival Glass Network.
Infelizmente, ninguém conseguiu dizer com certeza qual era o fabricante, e segundo Glen Thistlewood a peça era incrível, misteriosa e linda.

Entre vários outros comentários, o de Julie Beckemeyer Rootz me chamou a atenção.
Ela disse que os desenhos pareciam abacaxis.
E realmente ela estava certa, pareciam abacaxis!

Comprei a peça, e qual não foi a minha surpresa quando ela chegou em casa e eu constatei que existia uma marca gravada no fundo.
Marca que o Fábio não havia visto;


Sim! Produção brasileira da Esberard Rio! Melhor que isso, impossível!

Com fabricante identificado, era hora de dar um nome para o padrão, e mais uma vez pedi a ajuda dos amigos do grupo Carnival Glass Network, claro que agora com fotos adicionais.




Algumas sugestões bem interessantes foram dadas, mas era impossível fugir de um nome que não lembrasse os abacaxis.

E quem acabou sugerindo um nome que combina perfeitamente com o desenho foi minha amiga Christina N. Katsikas, dona do site Carnival Glass Showcase.
"Painel de Abacaxis", Paneled Pineapple, simples, perfeito, e ainda com a justificativa de que o abacaxi é uma fruta de origem sul americana e que foi domesticada pelos índios Tupy-Guaranís.


 Mais uma peça de origem brasileira descoberta e mostrada para outros colecionadores de outras partes do mundo!

Um abraço, e não deixem de acessar os sites citados na publicação.
Basta clicar sobre o nome dos sites dentro do texto!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Jarras Carnival Glass

Eu sempre falo que, para aqueles que querem começar uma coleção carnival glass existem muitas possibilidades.

Colecionar peças de um determinado fabricante, de uma única cor, de um certo país, sair comprando peças só porque são carnival glass (me enquadro entre esses...) ou escolher um determinado formato, uma determinada utilidade onde a peça se encaixa.

E é isso que eu vou mostrar hoje, jarras de diversas procedências, diversos tamanhos, diversas colorações.
Mas todas jarras carnival glass.

A primeira é uma americana produzida pela Jeannette e que recebe o nome de Iris and Herringbone. (Íris e Espinha de Arenque)
Possui 23,0 cm de altura e já foi mostrada aqui nessa postagem!



Uma jarra que é um dos meus xodós é uma jarra brasileira que eu descobri em 2014 e batizei de Plástico Bolha (Bubble Wrap).


Essas bolinhas na parte inferior da jarra lembram as bolinhas que aparecem nos plásticos bolha!


Possui 16,5 cm de altura, e é possível reparar que a alça, além de não ser iridescente, não é vidro moldado.


Já encontrei em antiquários várias peças com esse padrão, em carnival e em não carnival.
Inclusive já cheguei a encontrar um centro de mesa que possuía no mínimo 50,0 cm de diâmetro!


Continuando na América do Sul, mas com produção argentina temos uma jarra conhecida por Colonial Loop.


Molde original da americana McKee, comprado por alguma indústria argentina, encontrado com certa facilidade no Rio Grande do Sul.


Esses "arcos coloniais" me lembram muito a estrutura do teatro Ópera de Arame, daqui de Curitiba.


Peça pesada, fundo oitavado, possui 20,0 cm de altura.


Saindo das Américas e partindo para o velho continente, encontramos duas jóias.

Uma foi feita lá na Finlândia pela empresa Riihimaki, e se chama Flashing Stars (Estrelas Brilhantes).


Além das três estrelas de 16 pontas que enfeitam a lateral da peça, temos uma outra estrela de doze pontas no fundo da peça.


Carnival Glass mais "queimado", escuro.
Possui 17,0 cm de altura.


A próxima européia é uma alemã da Brockwitz, e como não podia ser diferente de nenhuma outra peça da Brockwitz, é de tirar o fôlego!


Recebe o nome de Diamond Cut Shields, e é cheia de muitos detalhes.

Na base.


No fundo da peça.


Na alça.


Por toda a peça.


Possui 25,0 cm de altura.
É a jarra mais alta e mais pesada que eu possuo.


Como eu disse no começo, as possibilidades para colecionar Carnival Glass, são várias!
Tem para todos os gostos!

Sucesso para todos! Até a próxima!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Saladeira da Imperial, padrão Blaze

Já que na publicação do mês passado eu mostrei uma saladeira da Esberard Rio, nesse mês resolvi continuar com as saladeiras, mas desta vez, uma americana.

Mas antes, vamos lembrar de algumas saladeiras que já foram mostradas aqui no Do Tempo do Guaraná de Rolha?

Em Junho de 2014 eu mostrei uma peça produzida pela americana Imperial Glass Company.
A saladeira é no padrão Hobstar and Arches, e as cumbucas no padrão Diamond Lace.

Para ver a publicação, e entender o porquê dos padrões diferentes,  clique aqui.



Em Agosto de 2014 eu falei sobre o padrão brasileiro Olho da Rainha, mas na época eu ainda não havia completado o conjunto.
Portanto, aqui vão as fotos de um dos padrões brasileiros mais bonitos e intrigantes, na minha opinião...

E, para ler mais sobre o Olho da Rainha, clique aqui!




E agora, o padrão Blaze da Imperial Glass Company.



Um padrão que além das estrelas conhecidas por hobstar possui leques que aparecem decorando as estrelas.




A iridescência, a espessura do vidro e a geometria empregada no padrão é típico da Imperial.

Um jogo muito bonito e chamativo, digno de ser exposto em uma bela cristaleira!



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

The Carnival Glass Society Newsletter

Em Dezembro do ano passado eu recebi um e-mail de Derek Sumpter que me deixou extremamente feliz, e hoje, divido com vocês o porquê.

Derek Sumpter escreve artigos para o Carnival Glass Society - United Kingdom (CGS-UK), e sua esposa, Carol Sumpter é a editora das newsletter que são enviadas de forma digital e/ou impressa para membros do CGS-UK no mundo inteiro.

No e-mail, Derek me enviou duas newsletter que ele escreveu no ano passado.

Nessas newsletter ele escreveu sobre carnival glass brasileiro.

E para ilustrar os artigos ele usou fotos das minhas peças e também das peças do meu amigo Álvaro Aguiar.

No texto, além de explicar sobre as peças, em certos momentos ele fala sobre a Esberard Rio, sobre araucárias e pinhões, sobre características do Brasil, etc.

Ah! Ele também me disse que cópias impressas dos artigos foram enviadas para o Corning Glass Museum, no estado de Nova York!

Meus sinceros agradecimentos ao Derek e à Carol pelos artigos muito bem escritos, e pela oportunidade de mostrar um pouco do Brasil para o mundo através da minha coleção!




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Carnival Glass Padrão Lacinho (Garland and Bows)

Um padrão Carnival Glass encontrado com certa facilidade no Brasil, fabricado pela Esberard Rio, é o padrão Lacinho, conhecido no exterior como Garland and Bows (Festão e arcos).


A origem desse padrão é interessante, e a maneira como ele veio parar em terras tropicais é mais interessante ainda e foi desvendada por Glen e Stephen Thistlewood.

Segundo o casal, esse padrão é original da Europa e era fabricado por duas empresas, a finlandesa Riihimaki e a polonesa Hortensja.
O desenho feito pelas empresas possuíam algumas diferenças, mas a mais fácil de identificar é que o lacinho da Riihimaki aparece abaixo de uma faixa pontilhada, enquanto nas peças da Hortensja esse lacinho acompanha a faixa pontilhada, ou seja, não está nem acima nem abaixo da faixa, está sobre a faixa.

Para entender essa diferença, comparem o lacinho na cumbuca da foto acima com o da manteigueira do Álvaro Aguiar. Lembrando que as duas peças não são europeias.




Há algum tempo, peças Lacinho com características no desenho e na coloração diferentes das produzidas na Europa, foram encontradas na Argentina.

Glen e Stephan acreditam que por motivos políticos e econômicos essas peças começaram a ser produzidas na América do Sul não porque os moldes foram adquiridos por algum país daqui, mas sim porque imigrantes poloneses que trabalhavam com a fabricação de vidro acabaram trazendo os desenhos das peças para servirem como portfólio na hora de conseguirem empregos.

O casal ainda cita que colônias polonesas se estabeleceram entre Argentina, Brasil e Paraguai, portanto qualquer um desses países poderiam ter produzido o padrão Lacinho.

Até que, peças começaram a surgir no Brasil com a marca Esberard Rio estampada.
Ou seja, mistério resolvido, Lacinho / Garland and Bows foi produzido na América do Sul pela Esberard Rio.


Mas aqui eu devo levantar minhas suspeitas e questionamentos.

1) Uma peça carnival na cor azul cobalto sem características de ter sido fabricada na Polônia foi encontrada na Argentina.
Até onde sabemos, a Esberard não produziu carnival glass nessa cor. A Esberard trabalhava com vidro colorido mas em peças não carnival.
2) Todas as peças marcadas Esberard possuem o lacinho abaixo da linha pontilhada, mas algumas peças com o lacinho sobre a linha, e sem a marca Esberard,  podem ser encontradas tanto no Brasil quanto na Argentina.
3) Fazendo buscas em sites de venda da Argentina já encontrei por várias vezes sendo vendidas peças Lacinho, com ele sobre a linha pontilhada, sendo vendidas.

Diante dessas características eu tenho uma leve desconfiança de que o padrão Lacinho foi produzido tanto na Argentina quanto no Brasil.

Explico, provavelmente algum polonês imigrou inicialmente para a Argentina, e depois acabou saindo da Argentina e indo para o Rio de Janeiro.

Vale lembrar que  no sul do Brasil é onde se formaram a grande maioria das colônias polonesas.
Pela proximidade dos estados do sul do Brasil com a Argentina, o mais certo é que alguém que trabalhava com vidro procurasse alguma empresa nessa região para ficar "um pouco mais próximo" dos seus conterrâneos
O que nos leva à Argentina, que possuía grandes empresas vidreiras.

Mas, tudo isso são suposições, sem nenhuma comprovação.

Depois de toda essa história, vamos apresentar algumas peças.

Saladeira com suas cumbucas;





O interessante das cumbucas pequenas é que o mesmo molde foi usado para cumbucas de diâmetros, e consequentemente alturas, diferentes.

De cima para baixo, 10,0 cm de diâmetro, 13,0 cm e 14,5 cm;



E por último, uma compoteira do Álvaro. Compoteira fechada e com presentoir, a paixão dos colecionadores brasileiros;


Toda a história por trás de um padrão.
Finlândia, Polônia, Argentina e Brasil.
História fascinante, intrigante, que nos faz querer pesquisar e conhecer mais e mais sobre carnival glass.